Dra. Mirella Sá afirma que casos envolvendo celebridades ajudaram a ampliar o debate público sobre a menopausa, e destaca a importância do diagnóstico individualizado e do tratamento baseado em evidências
A menopausa deixou de ser um tema restrito aos consultórios e passou a ocupar espaço nas conversas públicas nos últimos anos. Relatos de personalidades como Fernanda Lima, Cláudia Raia e Angélica, amplamente divulgados pela imprensa, contribuíram para ampliar o debate sobre os impactos dessa fase da vida e incentivaram mais mulheres a buscar informações sobre sintomas e possibilidades de tratamento.
Para a Dra. Mirella Sá, médica com atuação em saúde hormonal, menopausa e longevidade, esse movimento tem um papel importante ao estimular o diálogo, mas também reforça a necessidade de informação qualificada.
Segundo ela, embora a menopausa seja uma etapa natural do envelhecimento feminino, sintomas persistentes não devem ser encarados como algo que precisa ser suportado sem investigação.
“Muitas mulheres chegam ao consultório acreditando que as mudanças fazem parte apenas da idade ou da rotina. O primeiro passo é compreender o que está acontecendo, porque diferentes sintomas podem ter causas distintas e exigem uma avaliação individualizada”, explica.
Entre as queixas mais frequentes estão ondas de calor, insônia, fadiga, alterações de humor, perda da libido, redução da massa muscular e diminuição da disposição. A médica ressalta, porém, que esses sinais não são exclusivos da menopausa e podem estar relacionados a outras condições de saúde, tornando indispensável o acompanhamento profissional.
Quando há indicação clínica, a terapia hormonal pode ser uma das estratégias para aliviar os sintomas e contribuir para a qualidade de vida. De acordo com Mirella Sá, a decisão sobre o tratamento deve considerar o histórico de saúde, as necessidades e as características de cada paciente.
“A reposição hormonal não é um tratamento padronizado para todas as mulheres. Existem diferentes opções terapêuticas, como géis, adesivos, medicamentos e, em alguns casos, implantes hormonais. A escolha depende de uma avaliação médica criteriosa”, afirma.
Na prática clínica, a especialista observa que um tratamento bem indicado pode favorecer a melhora do sono, da disposição e do bem-estar, refletindo também na retomada das atividades do dia a dia e da autoestima. Ainda assim, ela reforça que nenhuma mulher deve iniciar qualquer terapia com base apenas em relatos vistos na internet ou em experiências compartilhadas por outras pessoas.
“A medicina personalizada permite identificar quais pacientes podem se beneficiar de determinado tratamento e quais alternativas são mais adequadas para cada caso. O objetivo é oferecer cuidado seguro, baseado em evidências científicas e nas necessidades individuais de cada mulher”, conclui.
Com a menopausa cada vez mais presente no debate público, especialistas defendem que a informação de qualidade seja acompanhada de orientação médica, para que essa fase seja vivida com mais saúde, autonomia e qualidade de vida.






