Fisioterapeuta de Alagoinhas (BA), Adriana Reis mostra por que dores persistentes pedem atenção à rotina, aos hábitos e às condições de cada paciente.
Conviver com dores nas costas, no pescoço ou nos joelhos por períodos prolongados pode levar a uma mudança silenciosa de comportamento: em vez de investigar o desconforto, a pessoa aprende a adaptar a rotina a ele. A dor passa a determinar a maneira de sentar, trabalhar, dormir e até realizar tarefas simples.
Para a fisioterapeuta Adriana Reis, que atua em Alagoinhas, no interior da Bahia, esse processo merece atenção justamente porque uma queixa persistente não deve ser incorporada à vida como se fosse inevitável.
“Tem gente que diz: ‘essa dor já é normal’. Não é normal. É importante avaliar e entender por que ela persiste. Precisamos observar se existe um trauma, fatores relacionados ao trabalho, às atividades diárias ou outras situações que possam estar envolvidas.”
A avaliação, segundo a profissional, não deveria se concentrar apenas no ponto do corpo em que a dor aparece. Rotina profissional, nível de movimento, atividades domésticas e características individuais ajudam a compreender melhor o contexto em que o sintoma surgiu.
Entre pacientes mais jovens, Adriana observa com frequência rotinas marcadas pelo uso prolongado de computador e celular, além de muitas horas na posição sentada. Isso não significa, porém, que exista uma única postura capaz de explicar todos os quadros.
O tratamento não termina quando a dor diminui
Um dos desafios percebidos na prática clínica é a interrupção precoce do acompanhamento assim que surge uma primeira sensação de melhora.
Para Adriana, a redução da dor pode ser apenas uma parte do processo. A evolução precisa considerar também funcionalidade, hábitos e os fatores que podem contribuir para a repetição do desconforto.
“Muitos pacientes fazem um atendimento, sentem-se melhor e já pensam em não voltar. Por isso, trabalhamos muito a consciência sobre a importância de manter o planejamento. O paciente também precisa compreender qual é a participação dele nesse processo.”
Esse olhar é especialmente importante quando a pessoa retorna repetidamente com a mesma queixa. Nesses casos, tratar somente o sintoma sem compreender o contexto pode dificultar uma mudança mais consistente na rotina.
Na Clínica Ideal Fisio, em Alagoinhas, onde Adriana atua, a fisioterapia é integrada a outros atendimentos de saúde. A proposta, segundo a profissional, permite ampliar a observação do paciente quando diferentes fatores precisam ser considerados.
Da inatividade ao impacto emocional
Se o excesso de tempo diante de telas chama atenção entre pessoas mais jovens, Adriana aponta outro desafio entre os idosos: a inatividade.
Longos períodos com pouca movimentação podem afetar força e capacidade funcional ao longo do tempo. Para a fisioterapeuta, preservar a autonomia passa também por estimular movimento compatível com as condições de cada pessoa.
“Nos pacientes mais idosos, percebemos muito a inatividade. Quando existe perda de força e de funcionalidade, precisamos pensar no que pode ser feito para que aquela pessoa continue realizando melhor as atividades da própria vida.”
A experiência clínica também ensinou Adriana a observar aquilo que não aparece necessariamente em um exame físico. Pessoas que convivem com dor podem chegar ao atendimento trazendo medo, cansaço e a sensação de não serem ouvidas.
“Às vezes, a pessoa quer, antes de tudo, ser acolhida. Há pacientes que não encontram espaço para falar sobre o que estão sentindo. Quando recebemos alguém, precisamos ouvir antes de enxergar apenas um ombro ou uma coluna.”
A prevenção, nesse contexto, começa antes de uma limitação alterar significativamente a rotina. Observar a frequência da dor, as mudanças que ela provoca e os hábitos que cercam aquele desconforto pode ajudar a definir quando é hora de procurar avaliação profissional.
Adriana Reis de Jesus – fisioterapeuta e gestora – CREFITO-7 nº 157764
Clínica Ideal Fisio – Alagoinhas, Bahia. Gestora, representante legal e responsável técnica: Adriana Reis de Jesus – CREFITO-7 nº 157764.
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