Dr. Marco Aurélio Guidugli explica a importância do diagnóstico prévio e o conceito correto da Divina Proporção
A busca por harmonia estética nunca esteve tão presente. No entanto, por trás do desejo de mudança física, existe um dado que merece atenção: até 15% dos pacientes que procuram cirurgias plásticas ou procedimentos estéticos podem apresentar Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), segundo estudos da literatura médica. Na população geral, essa taxa varia entre 1% e 3%, evidenciando um aumento expressivo justamente no grupo mais exposto a intervenções estéticas.
O Transtorno Dismórfico Corporal é caracterizado por uma percepção distorcida da própria imagem, em que a pessoa enxerga defeitos inexistentes ou mínimos como grandes imperfeições. Esse olhar distorcido gera sofrimento emocional, impacta a autoestima e pode levar a uma busca incessante por procedimentos que dificilmente trazem satisfação.

A Divina Proporção além da estética
Para o Dr. Marco Aurélio Guidugli, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), esses números reforçam a necessidade de compreender a estética de forma responsável e ética.
“A Divina Proporção não se refere à saúde mental. Ela é um conceito de equilíbrio das proporções do corpo, não da mente. Quando há sinais de TDC, o procedimento estético precisa ser adiado até que o paciente seja avaliado e liberado por psicólogo ou psiquiatra”, explica.
A filosofia da Divina Proporção, adotada pelo médico, parte do princípio de que a beleza e a harmonia existem quando as proporções corporais estão equilibradas. Em pacientes com TDC, esse alinhamento físico está comprometido, o que exige cautela e responsabilidade ética por parte do cirurgião.
O fato de até 15% dos pacientes de cirurgia plástica apresentarem sinais de TDC torna o transtorno um dos principais desafios éticos da especialidade. Pessoas com dismorfia tendem a depositar expectativas irreais em procedimentos estéticos, acreditando que a cirurgia resolverá conflitos internos profundos.
“O resultado técnico pode ser adequado, mas a frustração permanece. Muitas vezes, o paciente apenas transfere a insatisfação para outra parte do corpo”, alerta o Dr. Marco.
Redes sociais e padrões irreais
A exposição constante a imagens editadas, filtros e padrões inalcançáveis de beleza contribui para o aumento da distorção da autoimagem. Esse cenário intensifica quadros de dismorfia e explica por que a incidência do transtorno é significativamente maior entre quem busca intervenções estéticas.
Nesse contexto, a avaliação psicológica, o diálogo franco e, em alguns casos, o encaminhamento para acompanhamento especializado tornam-se fundamentais antes de qualquer indicação cirúrgica.
Quando dizer “não” é cuidar
Entre os principais sinais de alerta do TDC estão:
• Insatisfação extrema e persistente com a aparência;
• Foco obsessivo em pequenos detalhes;
• Sofrimento emocional desproporcional;
• Busca repetida por procedimentos estéticos sem satisfação;
• Dificuldade em aceitar limites ou orientações médicas.
Para o Dr. Marco Aurélio Guidugli, respeitar a Divina Proporção também significa reconhecer quando a cirurgia não é a solução.
“A verdadeira estética está no equilíbrio das proporções corporais e no cuidado com o paciente. Preservar a saúde mental faz parte do compromisso médico”, enfatiza.
Ao trazer o dado de que até 15% dos pacientes de cirurgia plástica podem apresentar TDC, o debate sobre dismorfia corporal deixa de ser exceção e passa a ocupar um espaço central na prática médica responsável. Falar sobre o tema é uma forma de prevenção, cuidado e respeito ao ser humano como um todo.
A Divina Proporção, nesse sentido, não é apenas um ideal estético: é um princípio de harmonia corporal e ética profissional.
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